A complicada arte de ver
Esses são os pedaços que mais gostei do texto que peguei no Nucleo Fotografico. É um texto do Rubem Alves. Se quiser ler o texto completo (vale muito a pena!) acesse aqui
“…Os olhos que moram na caixa de ferramentas são os olhos dos adultos. Os olhos que moram na caixa dos brinquedos, das crianças. Para ter olhos brincalhões, é preciso ter as crianças por nossas mestras. Alberto Caeiro disse haver aprendido a arte de ver com um menininho, Jesus Cristo fugido do céu, tornado outra vez criança, eternamente: ‘A mim, ensinou-me tudo. Ensinou-me a olhar para as coisas. Aponta-me todas as coisas que há nas flores. Mostra-me como as pedras são engraçadas quando a gente as têm na mão e olha devagar para elas’…”
photo credit: Meredith_Farmer
“…William Blake sabia disso e afirmou: ‘A árvore que o sábio vê não é a mesma árvore que o tolo vê’. Sei disso por experiência própria. Quando vejo os ipês floridos, sinto-me como Moisés diante da sarça ardente: ali está uma epifania do sagrado. Mas uma mulher que vivia perto da minha casa decretou a morte de um ipê que florescia à frente de sua casa porque ele sujava o chão, dava muito trabalho para a sua vassoura. Seus olhos não viam a beleza. Só viam o lixo…”
“…Ato banal sem surpresas. Mas, cortada a cebola, eu olhei para ela e tive um susto. Percebi que nunca havia visto uma cebola…”
“…’Essa perturbação ocular que a acometeu é comum entre os poetas. Veja o que Neruda disse de uma cebola igual àquela que lhe causou assombro: ‘Rosa de água com escamas de cristal’. Não, você não está louca. Você ganhou olhos de poeta… Os poetas ensinam a ver’….”
“…Ver é muito complicado. Isso é estranho porque os olhos, de todos os órgãos dos sentidos, são os de mais fácil compreensão científica. A sua física é idêntica à física óptica de uma máquina fotográfica: o objeto do lado de fora aparece refletido do lado de dentro. Mas existe algo na visão que não pertence à física…”
Esse texto me fez pensar muito sobre o que vejo, fotografo, escrevo. Enfim…
Até a próxima!



























outubro 15th, 2008 at 16:54
Belíssimo post…realmente temos que ter olhos de poeta, principalmente se quisermos escrever poesias com a luz…
Abraço
Paulo Sidney publicou um post sobre..Quando usar Whether ou If
outubro 17th, 2008 at 9:15
Valeu Paulo! Esse texto me tocou muito, fico feliz por ter gostado!
novembro 6th, 2008 at 9:32
Já ouviu a frase “olhos de ver”? Pois é, olhar e ver são coisas totalmente diferentes. É o que esse texto demonstra. Olhar é apenas “passar” os olhos sobre algo, enquanto ver, é contemplar a beleza das coisas.William Blake, Neruda e Jesus Cristo (esse principalmente) têm razão.
Abraços
novembro 6th, 2008 at 10:00
@valdeir: é como é dificil para muitos VER! Temos que praticar diariamente isso!
dezembro 29th, 2008 at 16:19
Olá